A família da nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, de 35 anos, divulgou nas redes sociais um vídeo em que ela aparece movimentando o braço direito pela primeira vez após sofrer uma grave lesão na coluna. O registro foi feito três dias depois da aplicação de polilaminina, um medicamento experimental voltado ao tratamento de lesões medulares.
Flávia obteve, na última quinta-feira (22/1), uma decisão liminar na Justiça que autorizou o uso experimental do medicamento. A lesão ocorreu no dia 3 de janeiro, durante um mergulho na praia de Maresias, no litoral de São Paulo.
O trauma atingiu as vértebras cervicais C3, C4, C5 e C6, resultando em perda total dos movimentos dos braços e das pernas, além da ausência de sensibilidade. Em razão da gravidade do quadro, a paciente precisou ser submetida à respiração mecânica.
A aplicação da polilaminina foi realizada na sexta-feira (23/1), enquanto Flávia estava internada na UTI do Hospital Albert Einstein. Desde então, segundo relatos da família, ela passou a apresentar movimentos voluntários no braço direito. A paciente permanece internada e sob acompanhamento médico.
Uso experimental da polilaminina
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 5 de janeiro, o início de um estudo clínico para avaliar a segurança da polilaminina no tratamento de lesões medulares.
O medicamento experimental foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem como objetivo estimular a regeneração de tecidos nervosos. A substância é baseada na laminina, uma proteína extraída da placenta humana, e deve ser aplicada diretamente na coluna vertebral.
Testes preliminares realizados em laboratório, envolvendo animais e um grupo restrito de pacientes, indicaram recuperação parcial de movimentos em alguns casos, incluindo cães e humanos.
A primeira fase do estudo clínico aprovado pela Anvisa prevê a participação de cinco voluntários. Entre os critérios estabelecidos para inclusão estão:
- Idade entre 18 e 72 anos;
- Lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas;
- Indicação cirúrgica associada à lesão.
Especialistas reforçam que, apesar dos relatos iniciais animadores, o medicamento ainda está em fase experimental e não há comprovação definitiva de eficácia ou segurança para uso amplo fora de estudos clínicos controlados.

