Estudo da Unicamp revela que perda da microbiota faz células intestinais mudarem de função

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trouxe novos avanços sobre a relação entre a microbiota intestinal e o funcionamento das células do intestino. Publicada na revista Gut Microbes, a pesquisa revelou que a redução das bactérias intestinais pode alterar profundamente o comportamento das células que revestem o intestino grosso.

Os pesquisadores identificaram que determinadas células, anteriormente consideradas exclusivamente produtoras de muco, também possuem capacidade de absorção de nutrientes. Além disso, o número dessas células aumenta quando ocorre redução da microbiota intestinal, situação conhecida como disbiose.

A microbiota intestinal é composta por trilhões de microrganismos que desempenham funções fundamentais no organismo, incluindo proteção da barreira intestinal, modulação do sistema imunológico e produção de metabólitos importantes para a saúde.

Segundo o estudo, a abundância dessas células é regulada pelo butirato, composto produzido durante a fermentação de fibras alimentares pelas bactérias intestinais. Quanto maior a produção de butirato, menor a presença dessas células de função dupla no epitélio intestinal.

De acordo com Vinícius Dias Nirello, primeiro autor do estudo e pesquisador do Instituto de Biologia da Unicamp, o intestino grosso passa por adaptações importantes quando há redução da microbiota.

“Quando a microbiota é reduzida, o intestino grosso, que normalmente prioriza a produção de muco, passa a apresentar características associadas à absorção de nutrientes, função mais típica do intestino delgado”, explica.

Os pesquisadores acreditam que essa mudança pode representar uma resposta adaptativa do organismo diante da perda de bactérias intestinais.

A pesquisa também mostrou que essa alteração ocorre com maior frequência em pessoas idosas. Segundo os cientistas, processos como envelhecimento e uso frequente de antibióticos podem favorecer a expansão dessas células.

“Em condições de disbiose, ocorre aumento dessa população celular, o que pode representar uma tentativa do organismo de reforçar a barreira intestinal”, afirma Marco Vinolo, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e coorientador do estudo.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram diferentes modelos experimentais em camundongos, incluindo animais tratados com antibióticos e camundongos livres de germes. Parte dos animais recebeu bactérias intestinais provenientes de pessoas jovens, enquanto outro grupo recebeu microbiota de idosos.

Os cientistas também analisaram biópsias do intestino grosso de humanos jovens e idosos para investigar o impacto do envelhecimento no epitélio intestinal.

As análises utilizaram tecnologia de transcriptoma de célula única, método que permite avaliar individualmente o comportamento das células intestinais. Com isso, os pesquisadores identificaram que determinadas células expressavam simultaneamente genes relacionados à secreção de muco e à absorção de nutrientes.

Segundo os autores, o achado revela um nível de plasticidade celular até então desconhecido no intestino humano e pode abrir novos caminhos para o entendimento de doenças inflamatórias intestinais e futuras estratégias terapêuticas.

Os pesquisadores destacam que novos estudos ainda serão necessários para compreender completamente o papel dessas células e sua relação com doenças intestinais e envelhecimento.

Compartilhe este post nas redes sociais:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Se inscreva gratuitamente no nosso blog


Fique por dentro de novidades sobre nossa programação e receba os conteúdos em primeira mão no seu email

Preencha com os seus dados para contato:

Grade de Conteúdo

Módulo 1 - História da Cannabis

A história da Cannabis na Medicina

Módulo 2 - Fitocanabinoide

Compostos-chave que desvendam os segredos terapêuticos da cannabis

Módulo 3 - Terpenos e Terpenoides

As moléculas aromáticas que definem os efeitos únicas da cannabis

Módulo 4 - Sistema Endocanabinóide e Endocanabinoidoma

O complexo sistema essencial na modulação de processos biológicos através da cannabis

Módulo 5 - Canabinóides e suas Propriedades

As propriedades surpreendentes dos canabinoides e como eles interagem para trazer benefícios

Módulo 6 - Cannabis na Neurologia:

Nas síndromes demências
Na epilepsia
No autismo
No TDH
Na insônia
No alzheimer
No parkinson

Módulo 7 -Cannabis nas Doenças Psiquiátricas

Na ansiedade
Na depressão
No TEPT
Na esquizofrenia
Nos transtornos de humor
No TAB
Na dependência química e redução dos danos

Módulo 8 - Cannabis na Pediatria

Tratamentos seguros e eficazes na pediatria

Módulo 9 - Cannabis na Nutrologia

Cannabis na obesidade

Módulo 10 - Cannabis na Medicina Do Esporte

Cannabis revolucionando a medicina esportiva, oferecendo novas soluções para recuperação e desempenho

Módulo 11 - Cannabis na Dor

Uma abordagem inovadora no tratamento da dor crônica e aguda

Módulo 12 - Cannabis Na Unidade Básica De Saúde

Transforme o atendimento na saúde básica com o potencial terapêutico inovador da cannabis

Módulo 13 - Cannabis Nos Cuidados Paliativos

Aprimore os cuidados paliativos:alívio e conforto através das propriedades únicas da cannabis

Módulo 14 - Cannabis na Dermatologia

Explore o uso da cannabis na dermatologia para tratamentos de pele mais naturais.

Módulo 15 - Prescrição e Acompanhamento

Aprenda a escrever e acompanhar seus pacientes de forma mais assertiva em cada tratamento

Módulo 16 - Interações Medicamentosas / Efeitos Colaterais e Contraindicações

Entenda as medicações medicamentosas, efeitos colaterais e contraindicações da cannabis

Módulo 17 - Legislação

Fique por dentro da legislação atual sobre cannabis medicinal e esteja sempre à frente no campo médico

Módulo 18 - Avaliação Final

Consolide seu conhecimento e esteja preparado e esteja preparado para aplicar com confiança o uso da cannabis na prática médica

Módulo 19 - Certificado 60h - Extensão MEC

Valide suas habilidades e avance na carreira com este curso especializado.

Preencha o formulário e receba o nosso contato:

Preencha os dados para entrar em contato:

Preencha os dados para entrar em contato:

Preencha com os seus dados para receber nosso contato:

Preencha os dados para entrar em contato: