O cenobamato (XCOPRI) promete reduzir em mais de 60% a frequência de crises em pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.
Pacientes brasileiros com epilepsia de difícil controle passarão a contar com uma nova opção terapêutica a partir de 2026. A farmacêutica Eurofarma anunciou que recebeu da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o registro do medicamento XCOPRI (cenobamato), indicado para o tratamento de crises epilépticas focais.
Considerado uma das terapias mais inovadoras atualmente disponíveis para epilepsia farmacorresistente, o fármaco vinha sendo aguardado pela comunidade médica brasileira há cerca de três anos.
Eficácia e inovação
O cenobamato apresenta um mecanismo de ação duplo. O medicamento atua bloqueando canais de sódio nos neurônios, o que reduz a propagação das crises epilépticas, e também aumenta a atividade do GABA, neurotransmissor responsável por modular e reduzir a excitabilidade neuronal.
Estudos clínicos demonstraram resultados expressivos em pacientes com epilepsia de difícil controle. Participantes que utilizaram a dose de 400 mg apresentaram redução mediana de aproximadamente 65% na frequência das crises.
Outro dado relevante observado nas pesquisas é o índice de liberdade completa de crises. Até 28,3% dos pacientes tratados alcançaram ausência total de crises, um resultado pouco frequente nas terapias atuais, nas quais apenas cerca de 4% dos pacientes atingem esse desfecho após tentativa de três linhas de tratamento convencional.
Impacto na saúde pública
A chegada do medicamento busca reduzir uma importante lacuna terapêutica no país. Estima-se que entre 2 e 3 milhões de brasileiros convivam com epilepsia.
Na América Latina, o cenário também preocupa. De acordo com estimativas, mais de 60% dos cerca de 6 milhões de pacientes com epilepsia na região não recebem tratamento adequado.
Resultados de “mundo real”
Além dos estudos clínicos controlados, dados publicados em 2025 que avaliaram o uso do cenobamato na prática clínica cotidiana reforçaram sua eficácia sustentada.
Aproximadamente 80% dos pacientes mantiveram uma redução igual ou superior a 50% na frequência das crises após dois anos de tratamento. Os estudos também apontaram simplificação do regime terapêutico, permitindo que parte dos pacientes reduzisse o número de medicamentos utilizados simultaneamente.
A Eurofarma, responsável por licenciar o medicamento da empresa sul-coreana SK Biopharmaceuticals, já obteve aprovação do produto em outros países da América Latina, incluindo Argentina, Chile, Equador e Peru, ampliando sua estratégia de atuação em tratamentos voltados ao sistema nervoso central.

