Agência também autorizou o registro do medicamento similar Semaclique; produtos serão administrados semanalmente e dependem de prescrição médica com retenção da receita
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou duas novas opções de semaglutida injetável no Brasil. Entre elas está o primeiro medicamento genérico com o princípio ativo obtido por via sintética, produzido pela farmacêutica EMS.
A decisão também contempla o registro de um medicamento similar fabricado pela Germed, que será comercializado com o nome Semaclique. As autorizações ampliam o número de produtos disponíveis em um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado pelo uso dos agonistas do receptor de GLP-1 no tratamento do diabetes e da obesidade.
Embora esses medicamentos sejam popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, suas indicações dependem do registro sanitário de cada produto. A aprovação de um princípio ativo não significa que todas as apresentações estejam automaticamente autorizadas para qualquer finalidade.
Como serão as novas apresentações
Os produtos serão comercializados como solução injetável em sistemas de aplicação preenchidos, multidose e descartáveis. A administração será semanal.
As apresentações incluem diferentes volumes, quantidades de canetas e número de agulhas. Antes e depois do início do tratamento, os dispositivos deverão ser conservados sob refrigeração, em temperaturas entre 2 °C e 8 °C, conforme as orientações de armazenamento.
Por se tratar de um medicamento sujeito a controle específico, a aquisição dependerá de prescrição médica em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia.
A exigência passou a ser adotada para medicamentos agonistas de GLP-1 diante do crescimento do uso sem acompanhamento, da busca por finalidades estéticas e das preocupações relacionadas a eventos adversos.
O que significa a chegada de um genérico
Medicamentos genéricos precisam demonstrar equivalência farmacêutica e bioequivalência em relação ao produto de referência. Eles não utilizam nome comercial e são identificados pelo princípio ativo.
A entrada de um genérico nacional pode aumentar a concorrência e, com o tempo, contribuir para maior disponibilidade e redução de preços. O impacto real, entretanto, dependerá da capacidade de produção, da distribuição e do valor definido para a comercialização.
A aprovação também ocorre em um cenário de procura elevada e episódios de desabastecimento de algumas marcas. A ampliação das opções pode diminuir a dependência de poucos fabricantes, mas não elimina a necessidade de indicação adequada e acompanhamento médico.
Semaglutida não deve ser utilizada sem avaliação
A semaglutida atua em mecanismos relacionados ao controle da glicemia, à saciedade e ao esvaziamento gástrico. Entre os efeitos adversos mais frequentes estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal.
A utilização também exige atenção para contraindicações, interações, perda excessiva de massa muscular, alterações da vesícula e risco de pancreatite. A escolha do medicamento, da dose e da duração do tratamento precisa considerar o diagnóstico, os objetivos terapêuticos e as condições clínicas de cada paciente.
A chegada de novas marcas amplia as possibilidades de tratamento, mas não transforma a semaglutida em um medicamento de uso livre. Mesmo com maior oferta, a prescrição responsável continuará sendo essencial.
Fonte: CNN Brasil e Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

