A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de todos os suplementos fabricados pela empresa Bioghen Suplementos Nutricionais Ltda., responsável pela produção de marcas conhecidas no mercado fitness, como Dark Lab, Mais Mu e Muscle Definition.
A decisão suspende imediatamente a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e o uso dos produtos. A medida foi adotada após inspeção sanitária realizada entre os dias 11 e 13 de fevereiro, que identificou falhas consideradas graves nas práticas de fabricação.
Estrutura inadequada e risco de contaminação cruzada
Segundo a Anvisa, a estrutura física da fábrica foi considerada incompatível com o volume de produção e armazenamento, comprometendo o fluxo adequado das operações.
Foram apontadas irregularidades nos sistemas de ventilação e exaustão, que não garantiriam circulação de ar segura nas áreas de pesagem e mistura — etapas críticas no processo produtivo de suplementos.
Também foram identificadas falhas na higienização desses setores, aumentando o risco de contaminação cruzada entre diferentes produtos.
Problemas de armazenamento e rastreabilidade
A inspeção apontou ainda falhas na organização e separação de matérias-primas, embalagens e produtos acabados.
De acordo com a agência, o armazenamento inadequado compromete a rastreabilidade dos lotes, dificultando a identificação da origem dos insumos e a destinação final dos produtos distribuídos no mercado.
Além disso, foram constatadas falhas no sistema de controle de qualidade, incluindo registros incompletos de produção e documentação insuficiente das etapas do processo fabril. Essas inconsistências prejudicam o monitoramento de riscos e dos pontos críticos de controle.
Falhas no controle de alergênicos
Outro ponto considerado crítico foi a ausência de um Programa de Controle de Alergênicos eficaz.
Esse protocolo é obrigatório para evitar que ingredientes potencialmente alergênicos — como leite, soja ou amendoim — contaminem outros produtos durante a fabricação.
A fiscalização identificou não apenas falhas no controle interno, mas também ausência de informações claras nos rótulos quanto à possibilidade de contaminação cruzada.
Diante das irregularidades, a Anvisa reforça que a comercialização de produtos suspensos deve ser denunciada aos órgãos de vigilância sanitária e alerta que o consumo pode representar riscos à saúde.


