O novo Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou crescimento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos em todo o Brasil. Segundo o levantamento, o aumento está relacionado principalmente à maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), importante causador de infecções respiratórias graves na infância.
De acordo com o boletim, todas as unidades federativas apresentaram crescimento nas internações infantis associadas ao VSR, enquanto as demais faixas etárias permaneceram relativamente estáveis no período analisado.
Além do avanço do VSR, o estudo também identificou aumento das hospitalizações por influenza A nos estados da Região Sul e em algumas localidades das regiões Norte e Sudeste, incluindo Rondônia, Tocantins, São Paulo e Espírito Santo.
Os dados mostram ainda que 51,8% dos óbitos por SRAG registrados recentemente tiveram relação com influenza A, especialmente entre idosos. Embora os casos de Covid-19 tenham apresentado baixa incidência em todas as faixas etárias, o coronavírus permanece como a segunda principal causa de mortalidade entre idosos hospitalizados por SRAG.
Outro vírus que vem contribuindo significativamente para o aumento dos casos é o rinovírus, principal agente associado às infecções respiratórias comuns. Em 2026, 36,1% dos casos de SRAG tiveram relação com esse patógeno, especialmente em crianças pequenas, grupo mais vulnerável às complicações graves.
Até o momento, o Brasil já registrou 57.585 casos de SRAG em 2026. Desses, 45,7% tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, enquanto 47,1% ainda aguardam resultados.
O boletim também revelou que 15 das 27 capitais brasileiras apresentaram nível de atividade de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco nas últimas semanas. Entre as capitais com tendência de crescimento de longo prazo estão Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Teresina.
Especialistas reforçam que a vacinação continua sendo uma das principais estratégias para prevenção das formas graves das infecções respiratórias.
Segundo Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e integrante do InfoGripe, grupos prioritários devem manter o calendário vacinal atualizado.
“A vacina anual contra a influenza é destinada principalmente a idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”, afirma.
Ela também destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza anticorpos monoclonais contra o VSR para crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades, estratégia importante para reduzir complicações graves.
Os especialistas alertam que o aumento da circulação viral exige atenção redobrada das famílias e dos serviços de saúde, especialmente durante os períodos de maior sazonalidade das doenças respiratórias.


