O Ministério da Saúde iniciou um processo de transição no tratamento do diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS), com a ampliação do uso da insulina análoga de ação prolongada, a glargina, em substituição gradual à insulina humana NPH. A medida representa um avanço histórico na assistência a pessoas com diabetes mellitus na rede pública brasileira.
A insulina glargina é um medicamento mais moderno, de ação prolongada — com efeito de até 24 horas — e aplicação única diária, o que facilita a rotina dos pacientes e contribui para um melhor controle glicêmico.
O projeto-piloto será implementado inicialmente nos estados do Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal. Nesta primeira etapa, a estratégia prioriza crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A estimativa do Ministério da Saúde é que mais de 50 mil pessoas sejam beneficiadas nesta fase inicial.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa reforça o papel estratégico do SUS no fortalecimento da indústria nacional e na ampliação do acesso a tratamentos modernos.
“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso faz parte de uma política do governo federal de utilizar o poder de compra do SUS para impulsionar o desenvolvimento industrial brasileiro e garantir medicamentos gratuitos à população”, afirmou. O ministro também destacou que, após duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina em território nacional, ampliando a segurança do abastecimento.
A transição para a insulina glargina será realizada de forma gradual, mediante avaliação individual de cada paciente. Paralelamente, o Ministério da Saúde promove treinamentos para profissionais da Atenção Primária à Saúde nos territórios participantes. Após os primeiros meses de implementação, os resultados serão avaliados para a construção de um cronograma de expansão para os demais estados do país.
Na rede privada, o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 para dois meses de uso. A ampliação de sua oferta no SUS está alinhada às melhores práticas internacionais de cuidado ao paciente com diabetes.
Desenvolvimento tecnológico e autonomia do SUS
A ampliação do uso da insulina glargina é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que envolve o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee. A parceria prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo a soberania nacional na produção de medicamentos estratégicos.
Somente em 2025, mais de seis milhões de unidades de insulina glargina foram entregues ao SUS, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é que, até o final de 2026, a capacidade de produção alcance até 36 milhões de tubetes para abastecimento da rede pública.
Além disso, o Ministério da Saúde também estabeleceu parcerias para a produção nacional das insulinas NPH e regular, em frascos e tubetes, envolvendo a farmacêutica indiana Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm. O contrato prevê a entrega de oito milhões de unidades até 2026, das quais quase dois milhões já foram fornecidas, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.
Monitoramento e assistência integral
A transição faz parte das ações do Grupo de Trabalho da Insulina, criado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2025, com o objetivo de aprimorar a insulinoterapia no SUS, especialmente diante do cenário de restrição global na produção de insulina.
Todo o processo será acompanhado por meio de monitoramento contínuo de dados, capacitação de equipes estaduais e municipais e avaliação de resultados. Os treinamentos, realizados em parceria com a Fiocruz e a Biomm, incluem orientações sobre o uso correto das canetas aplicadoras e a administração adequada do medicamento.
Atualmente, o SUS oferece assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo, com atuação multiprofissional na Atenção Primária à Saúde. Estão disponíveis na rede pública as insulinas humanas NPH e regular, insulinas análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus.

