Espécie capaz de retornar a uma fase anterior do ciclo de vida ajuda a investigar a plasticidade celular, mas ainda não oferece um tratamento para seres humanos.
Uma pequena água-viva desperta interesse científico por uma capacidade incomum: em determinadas condições, a Turritopsis dohrnii consegue retornar de sua forma adulta a uma etapa anterior do desenvolvimento.
O fenômeno sustenta o apelido de “água-viva imortal”. A expressão descreve a possibilidade de reversão do ciclo de vida, e não uma garantia de sobrevivência em qualquer circunstância.
Pesquisadores investigam como suas células conseguem reorganizar funções e participar da formação de estruturas diferentes. Entender essa plasticidade pode ajudar a formular perguntas sobre regeneração e manutenção dos tecidos. Texas A&M Galveston Newsroom
| O interesse médico está em compreender como esse organismo reorganiza suas células e quais perguntas esse processo pode abrir para outras pesquisas.
Um modelo para estudar mecanismos biológicos
Estudos comparativos analisaram o material genético dessa espécie e de águas-vivas relacionadas. O objetivo é identificar diferenças que possam participar da reversão do ciclo e de processos associados à estabilidade e à renovação celular.
Essas comparações geram hipóteses. Encontrar uma diferença genética, porém, não demonstra automaticamente que ela explique todo o fenômeno. É necessário investigar sua função e sua interação com outros mecanismos.
Além disso, organismos tão diferentes podem utilizar soluções biológicas que não se transferem diretamente para o corpo humano.
O que ainda separa a descoberta de uma aplicação
Para transformar um mecanismo observado em uma intervenção médica, seria preciso demonstrar como ele funciona, se pode ser reproduzido com segurança e quais efeitos provocaria em tecidos humanos.
A pesquisa sobre essa água-viva permanece no campo da ciência básica. Não há, a partir desses achados, uma terapia comprovada para reverter o envelhecimento humano.
Isso não reduz sua importância. Modelos incomuns ajudam a ampliar o conhecimento e podem revelar caminhos que ainda não eram considerados. Seu valor está em permitir investigações melhores, com perguntas testáveis e resultados que possam ser examinados por outros grupos. pmc.ncbi.nlm.nih.gov
Fontes: G1 — pauta original, Texas A&M University e estudo publicado na PNAS.


