A morte do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, após um infarto fulminante, reacendeu discussões nas redes sociais sobre o chamado sinal de Frank — uma dobra diagonal no lóbulo da orelha que pode estar associada a maior risco de doenças nas artérias do coração.
Especialistas ressaltam que o sinal não é uma doença e não causa infarto. Trata-se de um possível marcador clínico que pode indicar risco cardiovascular aumentado.
O que é o sinal de Frank?
Descrito na literatura médica na década de 1970, o sinal de Frank consiste em uma linha ou prega que atravessa o lóbulo da orelha em direção diagonal.
Segundo o cardiologista Raphael Boesche Guimarães, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, indivíduos acima dos 40 anos que apresentam essa característica podem ter maior probabilidade de alterações nas artérias coronárias — responsáveis por irrigar o músculo cardíaco.
A hipótese mais aceita é que o sinal esteja relacionado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos. Fatores como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e tabagismo contribuem para a perda de elasticidade arterial e para o acúmulo de placas de gordura, processo conhecido como aterosclerose, que aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Como o lóbulo da orelha é irrigado por microvasos, alterações nesses pequenos vasos e nas fibras de colágeno poderiam se manifestar externamente como a dobra característica. Ainda assim, trata-se de uma associação estatística, não de uma relação causal comprovada.
“O sinal de Frank não causa o infarto e não confirma doença cardíaca por si só. Ele é um marcador clínico que pode indicar envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos, algo que também acontece nas artérias do coração”, explica Guimarães.
A cardiologista Lívia Sant’Ana reforça que o achado é apenas um possível indicativo de risco.
“O sinal de Frank foi descrito na literatura médica somente como um possível marcador de risco cardiovascular que pode indicar alterações vasculares.”
O que o sinal pode indicar?
O sinal de Frank pode estar associado a:
- Maior risco de doença arterial coronariana;
- Possível envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos;
- Maior probabilidade de presença de placas nas artérias;
- Risco cardiovascular aumentado quando combinado com hipertensão, dislipidemia, diabetes, obesidade e tabagismo.
Os especialistas destacam que a presença da dobra não significa que a pessoa sofrerá um infarto, assim como a ausência do sinal não elimina o risco.
Infarto é resultado de múltiplos fatores, incluindo predisposição genética, estilo de vida, pressão arterial elevada, colesterol alto, diabetes, estresse e ausência de acompanhamento médico regular.
As doenças cardiovasculares podem evoluir de forma silenciosa ao longo de anos, sem sintomas evidentes, até que ocorra um evento agudo.
Para os cardiologistas, o sinal de Frank deve ser interpretado como um achado clínico complementar. Ele não substitui exames diagnósticos e não deve ser analisado isoladamente.
Caso o indivíduo identifique a dobra e apresente fatores de risco, a orientação é buscar avaliação médica e realizar exames preventivos.
A prevenção e o acompanhamento regular continuam sendo as estratégias mais eficazes para reduzir o risco de infarto e outras complicações cardiovasculares.

