O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que quase 300 mil pessoas se autoexcluíram de plataformas de apostas online após identificarem sinais de comportamento compulsivo. A declaração foi feita em entrevista ao Bastidores CNN, da CNN Brasil.
Os dados foram coletados entre dezembro do ano passado e o final de janeiro, por meio do Observatório Brasil de Saúde e Apostas Eletrônicas, iniciativa criada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Fazenda. O observatório tem como objetivo monitorar padrões de comportamento relacionados às apostas online e subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento da dependência.
Ludopatia como problema de saúde pública
Segundo Padilha, a compulsão por jogos — conhecida como ludopatia — já é reconhecida como doença e representa um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo. O ministro destacou que o comportamento compulsivo pode desencadear um ciclo de agravamento financeiro, sofrimento psíquico, quadros depressivos, risco de suicídio e desestruturação familiar.
A ludopatia caracteriza-se por perda de controle sobre o ato de jogar, mesmo diante de prejuízos pessoais, sociais e econômicos significativos. Especialistas apontam que o fácil acesso às plataformas digitais, associado a estímulos constantes e estratégias de engajamento, amplia o risco de dependência.
Monitoramento e autoexclusão
O Observatório permite identificar padrões de uso potencialmente compulsivos a partir do comportamento vinculado ao CPF do usuário. Entre os indicadores observados estão aumento expressivo da frequência de acessos, tempo prolongado de permanência nas plataformas e uso recorrente em períodos noturnos.
O sistema disponibiliza ainda um autoteste padronizado internacionalmente para identificação de sinais de compulsão, além da possibilidade de autoexclusão. Ao optar por essa medida, o usuário deixa de receber comunicações e publicidade das empresas de apostas, o que pode contribuir para interromper o ciclo de dependência.
Teleatendimento para compulsão em jogos
Está prevista para março a implementação de um serviço de teleatendimento voltado a pessoas com comportamento compulsivo em jogos. A proposta é oferecer acesso direto a psicólogos e psiquiatras, sem necessidade de deslocamento até unidades de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025 foram registrados menos de 10 mil atendimentos relacionados à compulsão por jogos nos serviços públicos de saúde, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O baixo número sugere subnotificação e dificuldade de busca ativa por tratamento, possivelmente associadas a estigma, vergonha e desconhecimento.
A estratégia de teleatendimento busca reduzir barreiras de acesso e ampliar a identificação precoce dos casos, fortalecendo a abordagem da ludopatia como questão estruturante de saúde mental no país.

