O sargento-mor Mohamed Mahudhee morreu após desenvolver doença da descompressão durante uma operação submarina nas Maldivas. O militar integrava uma equipe de mergulhadores que realizava buscas por quatro turistas italianos desaparecidos em cavernas submarinas localizadas no Atol de Vaavu.
A doença da descompressão é uma das complicações mais conhecidas e perigosas relacionadas ao mergulho profundo. A condição ocorre quando o mergulhador retorna à superfície de forma muito rápida, impedindo que o organismo elimine adequadamente os gases acumulados durante o período submerso.
O problema está diretamente relacionado às alterações de pressão sofridas pelo corpo em grandes profundidades.
O ar respirado durante o mergulho contém principalmente oxigênio e nitrogênio. Sob altas pressões, como ocorre em mergulhos profundos, o nitrogênio se dissolve em maior quantidade no sangue e nos tecidos do organismo.
Quando a subida para a superfície acontece de forma rápida demais, a pressão externa diminui abruptamente e o nitrogênio dissolvido passa a formar pequenas bolhas gasosas dentro da corrente sanguínea e dos tecidos.
Essas bolhas podem obstruir vasos sanguíneos, provocar inflamações e causar lesões em órgãos, músculos, articulações e sistema nervoso. Em situações mais graves, a doença pode levar a complicações potencialmente fatais, como acidente vascular cerebral (AVC), embolias e insuficiência respiratória.
Os sintomas da doença da descompressão variam conforme a gravidade do quadro. Os sinais mais leves podem incluir fadiga, dor muscular, dor nas articulações, sensação febril, perda de apetite e dor de cabeça.
Nos casos mais graves, podem surgir dormência, formigamento, fraqueza nos membros, vertigem, dificuldade respiratória, dor no peito, alterações neurológicas e perda de equilíbrio.
Especialistas alertam que os sintomas nem sempre aparecem imediatamente após o mergulho. Aproximadamente metade dos pacientes apresenta os primeiros sinais apenas horas depois da subida, sendo que cerca de 90% desenvolvem sintomas em até seis horas após o mergulho.
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença, como mergulhos em grandes profundidades, desidratação, obesidade, doenças cardiovasculares, idade avançada e até viagens aéreas logo após a atividade subaquática, devido às mudanças bruscas de pressão atmosférica.
Para evitar a condição, protocolos internacionais de segurança recomendam que a subida à superfície seja feita de forma lenta e controlada.
Em mergulhos profundos, os profissionais realizam as chamadas “paradas de descompressão”, pausas estratégicas durante a subida que permitem ao organismo eliminar gradualmente o nitrogênio acumulado pelos pulmões.
Diversos mergulhadores utilizam computadores de mergulho, dispositivos eletrônicos que monitoram continuamente profundidade, tempo de permanência e necessidade de descompressão, auxiliando no retorno seguro à superfície.
A doença da descompressão é considerada uma emergência médica e, quando identificada rapidamente, o tratamento costuma envolver oxigenoterapia e uso de câmaras hiperbáricas, que ajudam a reduzir as bolhas gasosas e restaurar a oxigenação adequada dos tecidos.

