Melanotan II: peptídeo ilegal usado para bronzeamento ganha espaço nas redes sociais

Uma substância injetável conhecida como melanotan II vem ganhando visibilidade nas redes sociais, especialmente em vídeos que prometem bronzeamento rápido e sem necessidade de exposição solar intensa. Vendido ilegalmente pela internet, o produto não é aprovado para uso estético e preocupa especialistas pelos riscos à saúde.

O melanotan II é um peptídeo sintético desenvolvido para imitar a ação do hormônio alfa-MSH, envolvido na estimulação dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Com o aumento da produção de melanina, a pele pode escurecer. No entanto, muitas pessoas que usam a substância também se expõem ao sol para intensificar o efeito, o que aumenta ainda mais os riscos dermatológicos.

Apesar de ser divulgado como uma forma de obter bronzeado artificial, o melanotan II não tem aprovação para essa finalidade. Além disso, por ser comercializado de forma irregular, geralmente pela internet, não há garantia sobre a origem, pureza, concentração ou segurança do produto.

A falta de controle de qualidade é uma das principais preocupações. Produtos vendidos ilegalmente podem conter doses diferentes das informadas, impurezas, contaminações ou substâncias não declaradas. Isso torna os efeitos imprevisíveis e aumenta o risco de reações adversas.

Entre os efeitos colaterais descritos estão náuseas, vômitos, dor de cabeça, vermelhidão, alterações gastrointestinais e reações no local da aplicação. Como a substância costuma ser administrada por injeção subcutânea, também há risco de infecção, abscessos e complicações relacionadas ao uso inadequado de agulhas.

Outro ponto de atenção é o impacto sobre pintas e manchas na pele. O melanotan II pode escurecer lesões pigmentadas já existentes e favorecer o surgimento de novas manchas. Isso pode dificultar a avaliação dermatológica, atrapalhar o acompanhamento de pintas suspeitas e atrasar a identificação precoce de alterações que poderiam indicar câncer de pele.

O bronzeado obtido com a substância também não substitui o uso de protetor solar. Mesmo com a pele mais escura, a radiação ultravioleta continua causando danos ao DNA das células, acelerando o envelhecimento da pele e aumentando o risco de câncer cutâneo.

Os riscos do melanotan II também aparecem na literatura científica. Um estudo publicado em 2021 na revista Sexual Medicine relatou o caso de um homem de 55 anos que desenvolveu priapismo isquêmico após o uso da substância. O quadro consiste em uma ereção dolorosa e prolongada, sem relação com estímulo sexual, e é considerado uma emergência médica por poder causar dano permanente ao tecido peniano.

Pesquisadores e agências reguladoras internacionais alertam que o melanotan II não passou pelos processos necessários para comprovar segurança e eficácia como bronzeador. Por isso, seu uso não é recomendado.

A popularização da substância nas redes sociais reforça um problema crescente: a divulgação de intervenções estéticas sem respaldo científico e sem acompanhamento profissional. Vídeos curtos e relatos pessoais podem criar a impressão de segurança, mas não substituem estudos clínicos, avaliação regulatória e orientação médica.

Especialistas recomendam evitar o uso do melanotan II e desconfiar de promessas de bronzeado rápido, fácil e sem riscos. Pessoas que já utilizaram a substância devem procurar avaliação médica se apresentarem náuseas intensas, dor, alterações em pintas, surgimento de manchas, ereção prolongada ou qualquer outro sintoma após a aplicação.

Para quem deseja manter a pele com aparência bronzeada, alternativas cosméticas regulamentadas, como autobronzeadores tópicos, tendem a oferecer menor risco quando usadas corretamente. Já a exposição solar deve ser feita com cautela, proteção adequada e acompanhamento dermatológico, especialmente em pessoas com histórico de câncer de pele, muitas pintas ou lesões suspeitas.

O caso do melanotan II mostra como tendências estéticas nas redes sociais podem estimular o uso de substâncias sem aprovação, colocando a saúde em risco. Quando o assunto envolve injetáveis, hormônios, peptídeos ou medicamentos comprados pela internet, a orientação é clara: não usar sem indicação médica e sem segurança regulatória.

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