A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento Ozivy, desenvolvido pela farmacêutica EMS, tornando-o a primeira caneta emagrecedora brasileira produzida com semaglutida sintética. O medicamento é considerado um análogo do Ozempic, da farmacêutica Novo Nordisk, e surge como uma nova alternativa no mercado de tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Apesar da aprovação regulatória, a EMS ainda não divulgou oficialmente o preço ou a data de lançamento do produto. Segundo representantes da empresa, a expectativa é de que o valor seja cerca de 30% inferior ao das opções atualmente disponíveis no mercado.
A semaglutida é uma substância que imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo intestino. Esse hormônio atua aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa sinta menos fome ao longo do dia. Além disso, também age em mecanismos cerebrais relacionados ao comportamento alimentar, reduzindo pensamentos frequentes sobre comida, fenômeno conhecido como “food noise”.
O principal diferencial do Ozivy em relação ao Ozempic e ao Wegovy está na forma de produção da molécula. Enquanto os medicamentos da Novo Nordisk utilizam semaglutida produzida por processo biológico com leveduras Saccharomyces, a versão da EMS é desenvolvida sinteticamente em laboratório.
Segundo especialistas, a molécula sintética replica a mesma estrutura química da substância original. No entanto, para que um medicamento sintético seja aprovado, não basta apenas reproduzir a composição química. É necessário comprovar, por meio de estudos de bioequivalência, que a substância apresenta comportamento semelhante no organismo humano.
Esses estudos avaliam fatores como absorção, distribuição no sangue, metabolismo, efeitos adversos e eficácia clínica da medicação. Na prática, o objetivo é demonstrar que o medicamento sintético entrega os mesmos efeitos terapêuticos observados com a molécula biológica original.
A endocrinologista Andressa Heimbecher explica que a aprovação da Anvisa se baseia justamente nesses estudos de bioequivalência apresentados pela EMS. Por isso, o Ozivy não é considerado um medicamento genérico, mas sim um novo medicamento classificado tecnicamente como um análogo sintético de um produto biológico.
A chegada da semaglutida sintética nacional pode ampliar o acesso ao tratamento da obesidade e do diabetes, especialmente em razão da expectativa de redução de custos em comparação aos medicamentos importados já disponíveis no mercado.


