Gabriel Ganley: entenda a cardiomiopatia hipertrófica, doença que causou a morte do fisiculturista

A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu debates sobre doenças cardíacas em atletas jovens e os riscos associados ao uso de hormônios no fisiculturismo. Segundo informações confirmadas pelo Instituto Médico Legal (IML), a causa oficial da morte foi cardiomiopatia hipertrófica, condição genética que afeta a estrutura do coração.

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, especialmente das paredes dos ventrículos. Esse espessamento dificulta o relaxamento adequado do coração e pode comprometer o enchimento das câmaras cardíacas durante os batimentos.

Especialistas apontam que a condição afeta aproximadamente uma em cada 500 pessoas no mundo. Em cerca de 70% dos casos, a doença possui origem hereditária, causada por alterações genéticas transmitidas entre familiares. Também existem casos decorrentes de mutações genéticas espontâneas.

De acordo com cardiologistas, a cardiomiopatia hipertrófica é uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens. Durante atividades físicas intensas, o coração precisa aumentar rapidamente sua frequência de bombeamento. No entanto, devido ao espessamento das paredes cardíacas, o órgão não consegue se encher adequadamente de sangue, aumentando o risco de arritmias graves e parada cardíaca.

Os sintomas mais comuns incluem desmaios, dor torácica, falta de ar e palpitações. Em muitos casos, os desmaios acontecem de maneira inesperada e podem representar um sinal importante de gravidade.

O diagnóstico costuma ser realizado por meio do ecocardiograma, exame que permite visualizar alterações estruturais no músculo cardíaco. Dependendo da gravidade do quadro, o tratamento pode envolver uso de medicamentos como betabloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio. Em situações mais graves, podem ser indicados cardiodesfibriladores implantáveis ou procedimentos cirúrgicos específicos.

Além da doença cardíaca, a morte do influenciador também trouxe novamente à discussão o uso de hormônios no fisiculturismo, especialmente a insulina. Embora não tenha sido apontada como causa da morte, Gabriel já havia relatado publicamente episódios de mal-estar após utilizar o hormônio sem alimentação adequada.

A insulina é um hormônio produzido naturalmente pelo pâncreas e tem função fundamental no controle da glicose sanguínea. No entanto, no meio do fisiculturismo, seu uso ocorre devido ao forte efeito anabólico, favorecendo o crescimento e recuperação muscular.

Especialistas alertam que o uso inadequado da substância pode provocar hipoglicemia grave, condição potencialmente fatal. Entre os sintomas estão tremores, sudorese fria, taquicardia, confusão mental, convulsões e até coma. Em casos extremos, a queda abrupta da glicose pode incapacitar rapidamente a pessoa de buscar ajuda.

Médicos reforçam que o uso de hormônios sem acompanhamento adequado representa riscos importantes à saúde, principalmente quando associado a treinos de alta intensidade e predisposições genéticas desconhecidas.

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