Novos dados dos estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2 reforçam a eficácia do lenacapavir injetável como profilaxia pré-exposição ao HIV. Administrado uma vez a cada seis meses, o medicamento oferece uma alternativa de longa duração à PrEP oral de uso diário.
Entre as pessoas que optaram por continuar recebendo as injeções semestrais, aproximadamente 95% não apresentaram novas infecções. A adesão ao calendário das aplicações ficou próxima de 96%.
Dos 3.004 participantes que receberam lenacapavir, quatro foram diagnosticados com HIV. Três desses casos já haviam apresentado resultado positivo anteriormente, e apenas um foi identificado na nova fase do acompanhamento.
O PURPOSE 1 foi conduzido com mulheres cisgênero. Já o PURPOSE 2 incluiu homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias, com participação de voluntários brasileiros. A diversidade dos grupos avaliados ajuda a compreender o desempenho da estratégia em populações diferentes.
Alternativa ao comprimido diário
A PrEP utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV para reduzir o risco de infecção. Embora a modalidade oral seja altamente eficaz quando tomada corretamente, a necessidade de uso diário pode dificultar a adesão.
Uma aplicação a cada seis meses reduz a dependência da lembrança diária e pode favorecer pessoas que enfrentam dificuldades para armazenar comprimidos, comparecer frequentemente ao serviço de saúde ou manter o uso de forma discreta.
O lenacapavir atua sobre o capsídeo do HIV, interferindo em diferentes etapas do ciclo de replicação viral. A duração prolongada permite que concentrações ativas do medicamento permaneçam no organismo durante meses.
A proteção, entretanto, depende do cumprimento correto do calendário. Atrasos nas aplicações podem deixar períodos de menor cobertura e exigir estratégias complementares definidas pela equipe de saúde.
Acesso ainda é um desafio
Embora tenha sido aprovado pela Anvisa em janeiro de 2026, ainda não há previsão para sua incorporação e distribuição pelo Sistema Único de Saúde. O preço no mercado privado brasileiro também não foi definido.
Fora do país, o custo pode chegar a aproximadamente US$ 25 mil por pessoa ao ano, valor equivalente a mais de R$ 127 mil. A diferença entre o avanço científico e a capacidade de acesso é apontada por especialistas como um dos principais obstáculos para que a tecnologia tenha impacto populacional.
O lenacapavir não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis e não substitui o uso do preservativo quando também se busca prevenir sífilis, gonorreia, clamídia e outras condições.
Os resultados representam um dos avanços mais importantes da prevenção do HIV nos últimos anos. Ainda assim, seu impacto dependerá de financiamento, políticas públicas, negociação de preços e capacidade dos sistemas de saúde de oferecer a tecnologia às pessoas com maior risco de exposição. Fonte: Metrópoles

