Caso ocorrido na Grécia chama atenção para a longevidade da criopreservação e para os riscos da gestação em idade avançada
Uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina na Grécia após utilizar um embrião que permaneceu congelado por mais de 22 anos.
Christina Rapti-Tzelepi havia realizado fertilização in vitro em 2004. O tratamento resultou no nascimento de seu primeiro filho e outros embriões permaneceram preservados.
Após a morte do filho em um acidente de trânsito, em 2025, ela e o marido decidiram realizar uma nova transferência. O procedimento ocorreu pouco antes de a mulher atingir o limite etário previsto na legislação grega.
| Os 22 anos se referem ao tempo de armazenamento do embrião, não ao tempo de desenvolvimento. Em temperaturas muito baixas, a atividade biológica fica praticamente suspensa até o descongelamento e a transferência.
COMO UM EMBRIÃO PODE PERMANECER CONGELADO POR TANTO TEMPO
Na reprodução assistida, embriões podem ser criopreservados após a fertilização. Atualmente, a vitrificação utiliza resfriamento ultrarrápido para reduzir a formação de cristais de gelo capazes de danificar as células.
Quando mantido em condições adequadas, o material pode permanecer armazenado por muitos anos. O tempo de congelamento, isoladamente, não parece determinar o potencial de desenvolvimento da mesma maneira que a idade do óvulo no momento da fertilização.
Isso significa que, para o risco cromossômico do embrião, importa especialmente a idade da mulher quando os óvulos foram coletados.
A IDADE DA GESTANTE CONTINUA IMPORTANTE
Mesmo quando o embrião foi produzido anos antes, a gravidez ocorre em um organismo mais velho.
Gestações após os 50 anos apresentam maior risco de hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, trombose, parto prematuro, cesariana e complicações cardiovasculares. A avaliação pré-concepcional precisa considerar saúde cardíaca, metabólica e capacidade de suportar a gestação.
O acompanhamento costuma ser classificado como de alto risco e exige vigilância materna e fetal individualizada.
LIMITES ÉTICOS E LEGAIS
Países adotam regras diferentes sobre idade máxima, tempo de armazenamento, consentimento e destino dos embriões.
O debate envolve autonomia reprodutiva, segurança materna, direitos da futura criança, acesso ao tratamento e responsabilidade das clínicas.
O contexto emocional também merece cuidado. Decisões reprodutivas após a perda de um filho podem envolver luto intenso, expectativa e necessidade de suporte psicológico, sem que isso retire a autonomia da família.
O nascimento mostra o alcance da criopreservação moderna, mas não transforma a gestação tardia em um procedimento simples ou isento de riscos. Cada caso exige avaliação clínica rigorosa e observância das normas locais.
Fonte principal: G1

