A influenciadora Isa Scherer revelou que foi diagnosticada com toxoplasmose na décima semana de gestação durante um exame de rotina do pré-natal. O caso chamou atenção para uma infecção que frequentemente não apresenta sintomas ou provoca manifestações semelhantes às de uma virose comum.
A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. A transmissão pode ocorrer pelo consumo de carnes cruas ou malpassadas, ingestão de frutas e verduras contaminadas, água sem tratamento adequado ou contato com solo contendo fezes de gatos infectados.
Embora os felinos participem do ciclo do parasita, o simples convívio com gatos não é a principal forma de transmissão. O risco está especialmente no contato desprotegido com fezes ou solo contaminado, além do consumo de alimentos crus ou mal higienizados.
Em adultos imunocompetentes, a maioria dos casos é assintomática. Quando aparecem, os sintomas podem incluir febre, cansaço, dores no corpo, mal-estar e aumento dos gânglios, o que facilita a confusão com infecções virais.
Por que a infecção preocupa na gravidez?
Quando a gestante adquire a infecção, o protozoário pode atravessar a placenta e atingir o feto. O risco de transmissão tende a aumentar com o avanço da gestação, mas as infecções adquiridas nos primeiros meses podem provocar consequências fetais mais graves.
A toxoplasmose congênita pode estar relacionada a alterações neurológicas e oftalmológicas, calcificações intracranianas, hidrocefalia, convulsões, uveíte, aumento do fígado e do baço, inflamações e lesões nos tecidos em desenvolvimento. Nos quadros mais graves, existe risco de abortamento ou morte fetal.
Entre 80% e 90% dos recém-nascidos infectados podem não apresentar sintomas ao nascer. Algumas manifestações, especialmente as alterações oculares, podem surgir posteriormente. Por isso, o rastreamento pré-natal, a investigação adequada e a triagem neonatal são fundamentais.
No caso de Isa Scherer, a infecção foi detectada precocemente, permitindo o início do tratamento para reduzir o risco de passagem do parasita pela placenta. Exames posteriores indicaram que o bebê não foi infectado.
Quando a infecção fetal é confirmada após o primeiro trimestre, pode ser necessário utilizar um esquema terapêutico específico durante a gestação. Após o nascimento, crianças com toxoplasmose congênita podem precisar continuar o tratamento por até 12 meses para reduzir a progressão de sequelas neurológicas e oculares.
Como reduzir o risco?
Durante a gestação, as principais medidas preventivas incluem cozinhar bem as carnes, lavar cuidadosamente frutas e verduras, evitar água sem procedência segura, utilizar luvas ao mexer com terra e higienizar as mãos depois do contato com carne crua ou solo.
A limpeza da caixa de areia dos gatos deve, se possível, ser feita por outra pessoa. Quando isso não for viável, a gestante deve utilizar luvas, realizar a limpeza diariamente e lavar bem as mãos depois.
O diagnóstico precoce não reverte lesões que já tenham ocorrido, mas pode reduzir o risco de transmissão e a progressão das complicações. Por isso, a realização adequada do pré-natal continua sendo uma das principais formas de proteção materna e fetal. Fonte: Metrópoles

