O Sistema Único de Saúde está ampliando a assistência destinada a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em resposta ao crescimento da preocupação com os impactos das chamadas bets sobre a saúde mental da população.
O serviço de teleatendimento começou em março, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, e permite que pessoas com sinais de comportamento problemático relacionado às apostas recebam acompanhamento sem precisar comparecer inicialmente a uma unidade de saúde.
A porta de entrada é o Meu SUS Digital. O usuário responde a um instrumento de avaliação e, de acordo com o nível de risco identificado, pode ser direcionado para acompanhamento remoto ou orientado a procurar outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.
As consultas são realizadas por vídeo e duram aproximadamente 45 minutos. O cuidado pode envolver psicólogos, terapeutas ocupacionais e, quando necessário, psiquiatras. O acompanhamento pode incluir várias sessões e também envolver familiares ou pessoas da rede de apoio.
A estratégia tenta enfrentar uma das principais dificuldades relacionadas ao transtorno do jogo: muitas pessoas demoram a reconhecer que perderam o controle sobre as apostas ou sentem vergonha de procurar ajuda presencialmente.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a apostas, ante 3.490 no ano anterior. Nos primeiros três meses do novo serviço remoto, 6.912 usuários já haviam se cadastrado.
O transtorno do jogo é uma condição reconhecida na psiquiatria e pode produzir consequências que ultrapassam as perdas financeiras. O indivíduo pode desenvolver preocupação persistente com apostas, dificuldade de interromper o comportamento, tentativas de recuperar valores perdidos apostando novamente e comprometimento das relações familiares, sociais e profissionais.
Em situações mais graves, podem coexistir ansiedade, depressão, endividamento importante e risco de suicídio, tornando fundamental avaliar o paciente de maneira integral.
A expansão do teleatendimento representa, portanto, mais do que uma mudança tecnológica. É uma tentativa de reduzir a distância entre pessoas que estão adoecendo com as apostas e a rede pública de saúde mental.


