O caso de um influenciador brasileiro hospitalizado após manipular uma lesão no rosto reacendeu nas redes sociais uma expressão que parece saída de um filme: “triângulo da morte” da face.
Apesar do nome dramático, existe uma explicação anatômica para o alerta.
A região corresponde aproximadamente à área compreendida entre a parte superior do nariz e os cantos da boca. Nela existem vasos que se comunicam, por diferentes trajetos venosos, com estruturas localizadas dentro do crânio, incluindo o seio cavernoso.
O influenciador Willian Silva, conhecido como Kendecg, relatou ter desenvolvido uma infecção importante depois de manipular uma lesão na região do bigode. Segundo seu relato, a inflamação posteriormente atingiu a região próxima aos olhos e exigiu atendimento hospitalar.
O problema não é a espinha em si. Ao apertar uma lesão, especialmente com as mãos contaminadas ou causando trauma intenso à pele, é possível favorecer a entrada e disseminação de bactérias.
Em situações excepcionais, uma infecção facial pode se disseminar pelas estruturas venosas e resultar em complicações graves, como a trombose do seio cavernoso. Dependendo da evolução, podem surgir manifestações oftalmológicas e neurológicas, e infecções intracranianas também fazem parte das complicações possíveis.
Isso não significa, porém, que espremer uma espinha nessa região normalmente resulte em uma infecção cerebral.
Especialistas ressaltam que complicações graves desse tipo são extremamente raras atualmente, especialmente com o acesso aos antibióticos. Infecções odontogênicas, abscessos e outros processos infecciosos relevantes representam preocupação clínica maior do que uma espinha comum isoladamente.
Ainda assim, a recomendação é evitar manipular espinhas, furúnculos e outras lesões inflamadas. Além do risco infeccioso, espremer acne aumenta inflamação local e pode favorecer cicatrizes e manchas.
Dor ou inchaço progressivos, vermelhidão que se espalha, febre, alterações ao redor dos olhos ou sintomas neurológicos após uma infecção facial merecem avaliação médica.
O nome “triângulo da morte” pode ser exagerado para a realidade da medicina moderna, mas a anatomia por trás dele é real — e é um bom motivo para deixar aquela espinha quieta.

