A maioria das mulheres com prótese mamária consegue amamentar, embora algumas cirurgias possam reduzir a produção de leite
A presença de um implante de silicone não é considerada uma contraindicação ao aleitamento materno. Na maioria dos casos, mulheres submetidas à cirurgia de aumento das mamas conseguem produzir leite e amamentar.
O resultado, entretanto, não depende apenas da existência da prótese. A técnica utilizada, o local da incisão, a posição do implante e a preservação dos nervos e ductos mamários podem influenciar a produção e a saída do leite.
Também existem diferenças naturais na capacidade de produção entre mulheres que nunca realizaram cirurgia. Por isso, uma dificuldade durante a amamentação não deve ser atribuída automaticamente ao silicone.
Local da incisão pode fazer diferença
Incisões realizadas no sulco abaixo da mama ou pela região axilar tendem a preservar melhor as estruturas envolvidas na lactação.
Cirurgias com incisão ao redor da aréola podem apresentar maior risco de lesão dos ductos mamários e dos nervos responsáveis pela sensibilidade do mamilo. Essa sensibilidade participa da liberação de prolactina e ocitocina, hormônios importantes para a produção e a ejeção do leite.
Mesmo quando alguns ductos são lesionados, parte deles pode permanecer funcional ou formar novas conexões ao longo do tempo. A recuperação varia conforme a extensão do procedimento e a resposta individual.
A posição da prótese também pode influenciar. Implantes colocados abaixo do músculo peitoral costumam exercer menor pressão direta sobre o tecido glandular do que aqueles posicionados acima do músculo.
Silicone passa para o leite?
As evidências disponíveis não demonstram aumento clinicamente relevante de silicone no leite materno de mulheres com implantes.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, não existem relatos recentes de problemas clínicos em bebês atribuídos à amamentação por mães com implantes de silicone. A presença da prótese, portanto, não é motivo isolado para suspender ou contraindicar o aleitamento.
Isso não elimina a necessidade de acompanhamento do implante. Ruptura, dor persistente, endurecimento, alteração do formato da mama ou aumento de volume devem ser avaliados por um médico.
Produção deve ser acompanhada
Mulheres que passaram por cirurgias mamárias podem produzir todo o volume necessário, apenas parte dele ou, em alguns casos, apresentar dificuldade significativa.
O acompanhamento deve considerar a pega do bebê, a frequência das mamadas, a transferência de leite, o número de fraldas e o ganho de peso. Esses parâmetros são mais úteis do que tentar estimar a produção apenas pela sensação de esvaziamento da mama.
Quando a oferta de leite é insuficiente, pode ser necessário complementar a alimentação. Isso não significa que a amamentação precise ser completamente interrompida. Mesmo uma produção parcial permite manter o contato, a sucção e parte dos benefícios do leite materno.
Orientação deve começar antes da cirurgia
Mulheres que desejam engravidar e amamentar no futuro devem conversar com o cirurgião antes da colocação dos implantes. Sempre que possível, o planejamento cirúrgico pode priorizar técnicas que preservem os ductos, os nervos e o tecido glandular.
Durante a gestação, é recomendável informar ao obstetra e à equipe de amamentação sobre a cirurgia anterior. Depois do nascimento, o apoio de pediatras e profissionais capacitados em aleitamento pode ajudar a identificar dificuldades precocemente.
A mensagem principal é que silicone e amamentação são, na maioria das vezes, compatíveis. O acompanhamento individualizado é o que permite reconhecer quem precisa de apoio adicional.
Fontes: CNN Brasil, Centers for Disease Control and Prevention e Food and Drug Administration.


