País chegou a mais de 173 mil pessoas em terapia renal substitutiva; diabetes, hipertensão e diagnóstico tardio ajudam a explicar o avanço
O número de brasileiros em tratamento dialítico cresceu 41% ao longo dos últimos dez anos, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
O país passou de 122.825 pacientes para 173.408 pessoas dependentes de alguma modalidade de diálise. A série histórica não registrou nenhum ano de redução.
Anualmente, aproximadamente 45.400 novos pacientes precisam iniciar o tratamento. Os dados expõem o avanço da doença renal crônica e a pressão crescente sobre pacientes, famílias, unidades de saúde e o Sistema Único de Saúde.
Doença pode evoluir sem sintomas
A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e persistente da função dos rins. Nas fases iniciais, o paciente pode não apresentar sintomas, mesmo quando já existe comprometimento significativo.
Os sinais costumam surgir em estágios mais avançados. Entre eles estão cansaço, edema nas pernas, alterações na quantidade ou frequência da urina, urina espumosa ou com sangue, náuseas, perda de apetite e pressão arterial de difícil controle.
Em quadros graves, podem ocorrer fraqueza intensa, alterações neurológicas, acúmulo de líquidos, distúrbios eletrolíticos e complicações cardiovasculares.
Quando os rins deixam de manter adequadamente a filtração do sangue, o equilíbrio de eletrólitos e a eliminação de substâncias tóxicas, pode ser necessário iniciar uma terapia renal substitutiva.
Diabetes e hipertensão estão entre as principais causas
O crescimento da diálise está relacionado principalmente à elevada prevalência de diabetes e hipertensão arterial.
Quando não são adequadamente controladas, essas condições podem danificar progressivamente os vasos e as estruturas responsáveis pela filtração renal.
O envelhecimento da população, o aumento da obesidade, a maior sobrevida de pessoas com doenças crônicas e a ampliação do diagnóstico também contribuem para o crescimento.
Outro problema é o subdiagnóstico. Muitos pacientes com diabetes ou hipertensão não realizam regularmente os exames necessários para avaliar a função renal. Com isso, a doença pode ser identificada somente quando já há perda importante da capacidade de filtração.
Diagnóstico precoce pode retardar a progressão
A avaliação renal geralmente envolve a dosagem de creatinina no sangue, o cálculo da taxa de filtração glomerular e a pesquisa de albumina ou proteína na urina.
Esses exames são especialmente importantes para pessoas com diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, histórico familiar de doença renal ou idade avançada.
A identificação precoce permite controlar fatores de risco, ajustar medicamentos, tratar alterações metabólicas e adotar medidas capazes de retardar a progressão.
Controle da pressão, manejo adequado da glicemia, interrupção do tabagismo, redução do consumo excessivo de sal e acompanhamento regular fazem parte da prevenção.
Também é necessário evitar o uso frequente de medicamentos potencialmente nefrotóxicos sem orientação, especialmente anti-inflamatórios.
Diálise mantém a vida, mas exige estrutura
A hemodiálise é a modalidade mais conhecida e costuma ser realizada várias vezes por semana em clínicas especializadas. O sangue passa por um equipamento que remove toxinas e excesso de líquido antes de retornar ao organismo.
Outra possibilidade é a diálise peritoneal, realizada por meio da introdução de uma solução na cavidade abdominal. O peritônio funciona como uma membrana de filtração, permitindo a retirada de substâncias acumuladas.
A escolha depende das condições clínicas, da disponibilidade, da estrutura familiar e da avaliação da equipe.
Embora seja essencial para manter a vida, a diálise modifica profundamente a rotina e está associada a riscos de infecção, complicações cardiovasculares, internações e perda de qualidade de vida.
O crescimento contínuo mostra que ampliar vagas e equipamentos é necessário, mas insuficiente. A resposta também precisa incluir prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento adequado das doenças que levam à perda da função renal.
Fonte: Medicina S/A e Sociedade Brasileira de Nefrologia.


