Levantamento identificou crescimento de 149,3% no primeiro semestre de 2026 e quase quatro mil tentativas de fraude envolvendo a categoria
O número de pedidos on-line de medicamentos associados ao GLP-1 aumentou 149,3% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e junho deste ano, foram analisadas 1.364.354 solicitações, ante 547.249 nos seis primeiros meses do ano anterior. O valor total dos pedidos chegou a aproximadamente R$ 2,35 bilhões.
Os dados fazem parte de um levantamento da Serasa Experian e abrangem medicamentos injetáveis, conhecidos como canetas emagrecedoras, além de outras apresentações farmacêuticas dos princípios ativos analisados.
Os números não devem ser interpretados como o faturamento total do mercado brasileiro. O estudo considera apenas os pedidos avaliados pelas tecnologias antifraude da empresa.
Crescimento também atrai fraudadores
A expansão das vendas digitais foi acompanhada por um aumento das tentativas de fraude. Durante o primeiro semestre, foram identificadas 3.966 transações suspeitas, envolvendo aproximadamente R$ 7,86 milhões.
O setor de saúde passou a figurar entre as categorias do comércio eletrônico com maior volume de tentativas barradas, ao lado de beleza e calçados.
Medicamentos de alto valor, com grande procura, compra recorrente e possibilidade de revenda podem se tornar alvos atrativos. As fraudes podem envolver uso indevido de dados pessoais, cartões roubados, páginas falsas, anúncios enganosos e produtos sem procedência.
O cenário exige atenção tanto das empresas quanto dos consumidores, especialmente diante da circulação de ofertas em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Mulheres lideram os pedidos identificados
As mulheres foram associadas a 602.815 pedidos durante o período, aproximadamente 44,2% do total. O volume foi 75,2% maior do que o registrado entre homens.
Millennials e integrantes da geração X concentraram juntos 63,1% das solicitações. Entre as pessoas mais velhas, porém, o crescimento proporcional foi ainda maior. Os pedidos associados aos baby boomers aumentaram 273,7% em comparação com o primeiro semestre de 2025.
O Sudeste respondeu por aproximadamente dois terços das solicitações analisadas. A região também concentrou o maior número absoluto de tentativas de fraude.
Esses dados descrevem os CPFs associados aos pedidos e não permitem concluir, isoladamente, quem utilizou os medicamentos ou qual foi a indicação clínica.
Retenção de receita não interrompeu a procura
A Anvisa passou a exigir retenção da receita para medicamentos agonistas do receptor de GLP-1. A medida foi adotada diante do crescimento do uso sem acompanhamento profissional e passou a valer em junho de 2025.
O levantamento não permite separar o impacto da nova regra de outros fatores que influenciaram o mercado, como maior disponibilidade, publicidade, lançamento de produtos e aumento da procura por tratamentos para diabetes e obesidade.
Mesmo com a retenção da receita, o comércio digital continuou avançando. Em novembro de 2025, durante o período da Black Friday, foram registrados 292.800 pedidos. Em março de 2026, as solicitações movimentaram R$ 478,1 milhões, o maior valor mensal da série avaliada.
Como comprar com segurança
O consumidor deve adquirir medicamentos somente em farmácias e plataformas oficiais, verificar o endereço eletrônico e desconfiar de preços muito inferiores aos praticados no mercado.
Ofertas enviadas por redes sociais, links desconhecidos e páginas que utilizam indevidamente a identidade de empresas ou órgãos públicos representam sinais de alerta.
Também é necessário confirmar se o medicamento possui registro na Anvisa e evitar produtos importados ou manipulados sem procedência comprovada.
O crescimento do mercado digital pode facilitar o acesso, mas também amplia a exposição a medicamentos falsificados, desvios de prescrição e golpes financeiros. A compra precisa ser acompanhada de indicação médica, retenção da receita e orientação adequada sobre o tratamento.
Fonte: Medicina S/A e levantamento da Serasa Experian.

