Um medicamento experimental pode representar um avanço no tratamento do câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos e de difícil manejo clínico. Em estudo recente, o fármaco elraglusib, associado à quimioterapia, demonstrou aumento da sobrevida e redução do risco de morte em pacientes com a doença em estágio avançado.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Northwestern e publicada na revista científica Nature Medicine. O câncer de pâncreas permanece entre as principais causas de mortalidade por câncer no mundo, em razão de sua evolução rápida e resposta limitada aos tratamentos disponíveis.
O ensaio clínico de fase 2 incluiu 233 pacientes com câncer pancreático metastático, recrutados em 60 centros distribuídos por seis países da América do Norte e da Europa. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas quimioterapia padrão, enquanto o outro foi tratado com a combinação de quimioterapia e elraglusib.
Os resultados indicaram que os pacientes que receberam o novo medicamento apresentaram sobrevida média de 10,1 meses, em comparação a 7,2 meses no grupo tratado exclusivamente com quimioterapia. Além disso, a proporção de pacientes vivos após um ano foi significativamente maior no grupo que recebeu o fármaco, alcançando cerca de 44%, frente a 22% no grupo controle.
Após dois anos, aproximadamente 13% dos pacientes tratados com elraglusib permaneciam vivos, enquanto não houve sobreviventes no grupo que recebeu apenas o tratamento padrão.
O elraglusib atua sobre a proteína GSK-3 beta, envolvida no crescimento tumoral e na regulação da resposta imunológica. Diferentemente da quimioterapia convencional, que tem ação direta sobre as células cancerígenas, o medicamento interfere no microambiente tumoral, favorecendo a infiltração de células de defesa no tumor e potencializando a resposta imunológica do organismo.
De acordo com o oncologista Devalingam Mahalingam, principal autor do estudo, os resultados são encorajadores, embora ainda necessitem de confirmação em estudos de fase 3, que já estão sendo planejados.
Os efeitos adversos observados foram semelhantes aos da quimioterapia, incluindo fadiga, redução de glóbulos brancos e alterações visuais temporárias.
Caso os achados sejam confirmados em estudos maiores, o elraglusib poderá se consolidar como uma nova estratégia terapêutica para o tratamento do câncer de pâncreas avançado.


