Reconhecer sintomas e discutir alternativas ajuda a superar tanto a banalização das queixas quanto a prescrição indiscriminada.
A menopausa tem ocupado mais espaço no debate científico e na assistência. Uma reportagem de VEJA SAÚDE reúne discussões sobre sintomas, novas abordagens e a necessidade de preparar os serviços para acompanhar essa fase da vida.
A mudança começa por reconhecer que a menopausa não é uma doença. Ainda assim, a transição pode trazer manifestações que afetam o sono, o bem-estar, a sexualidade e a qualidade de vida.
Reduzir essas queixas a algo que a mulher deve simplesmente suportar pode atrasar o cuidado. Tratar todas as pessoas da mesma forma também não é uma resposta adequada.
| O avanço não está em oferecer a mesma solução para todas, mas em ampliar as possibilidades de uma escolha bem informada.
A consulta precisa ir além dos fogachos
A OMS destaca que a experiência da menopausa varia. Algumas mulheres apresentam poucos sintomas; outras enfrentam impacto importante em sua rotina.
A avaliação deve considerar as queixas, o histórico de saúde e o contexto de vida. Sono, saúde mental, atividade física e necessidades de saúde sexual também fazem parte da conversa.
Terapia hormonal é uma possibilidade, não uma obrigação
Uma nota técnica do Ministério da Saúde orienta que o cuidado combine medidas não farmacológicas e, quando indicadas, opções medicamentosas.
A terapia hormonal pode ser eficaz para sintomas vasomotores e geniturinários, desde que a decisão considere riscos, benefícios e contraindicações. Ela não é recomendada como estratégia universal de prevenção primária de doenças crônicas.
Também existem alternativas não hormonais, relevantes quando os hormônios não são indicados ou não correspondem à preferência da paciente.
Cuidado integral exige continuidade
A orientação ministerial valoriza escuta, decisão compartilhada e acompanhamento na atenção primária, com articulação entre os serviços quando necessário.
Isso ajuda a transformar o debate sobre “repor ou não repor” em uma conversa mais completa: quais sintomas precisam ser tratados, que opções existem e qual plano faz sentido para aquela mulher?
A atualização científica ganha valor quando se traduz em acolhimento e escolhas adequadas, sem promessas universais.
Fonte: VEJA SAÚDE — Avanços científicos e novas soluções para os sintomas da menopausa
Orientações complementares: Ministério da Saúde — Nota técnica sobre transição menopausal e cuidado na APS e OMS — Menopausa

