Um ensaio clínico de fase 3 apontou resultados promissores para a survodutida, medicamento experimental injetável estudado para o tratamento da obesidade e da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, condição conhecida pela sigla MASLD.
A pesquisa, publicada em 7 de junho na revista Nature Medicine, avaliou o efeito da substância em pacientes com obesidade e acúmulo de gordura no fígado. O estudo foi conduzido em centros dos Estados Unidos e da Espanha entre abril de 2024 e dezembro de 2025.
A survodutida pertence a uma classe de medicamentos que atuam sobre vias hormonais relacionadas ao metabolismo, ao controle do peso e à função hepática. Diferentemente de outras terapias já conhecidas, o fármaco tem ação dupla, simulando hormônios envolvidos na regulação do apetite, do gasto energético e do funcionamento metabólico do fígado.
Ao todo, 216 voluntários participaram do estudo. O grupo era formado por 131 mulheres e 85 homens, todos com obesidade e gordura hepática. Os participantes foram acompanhados durante 48 semanas.
Os pesquisadores dividiram os voluntários em dois grupos. Um deles, com 146 pessoas, recebeu aplicações subcutâneas semanais de 6,0 mg de survodutida. O outro, composto por 70 participantes, recebeu placebo.
Os resultados mostraram vantagem importante para o grupo tratado com a medicação. Entre os pacientes que receberam survodutida, 84,2% apresentaram redução igual ou superior a 30% na fração de gordura hepática. No grupo placebo, esse índice foi de 24,3%.
A resposta também foi expressiva em reduções mais intensas. De acordo com os dados do estudo, 75,3% dos participantes tratados com survodutida tiveram diminuição de pelo menos 50% da gordura no fígado. Além disso, 55,5% alcançaram queda igual ou superior a 70% nos níveis de gordura hepática.
A melhora da gordura no fígado é considerada um ponto relevante porque a MASLD está diretamente associada à obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e maior risco cardiovascular. Quando progride, a doença pode evoluir para inflamação hepática, fibrose, cirrose e outras complicações.
Além do impacto hepático, o estudo também identificou benefícios em fatores relacionados à saúde cardiovascular. A medicação demonstrou efeito favorável no controle de marcadores de risco associados à obesidade, embora os dados ainda precisem ser avaliados em estudos mais longos e com grupos mais amplos.
Os autores destacam que, apesar dos resultados positivos, o tempo de acompanhamento foi limitado a 48 semanas. Por isso, ainda será necessário observar os efeitos da survodutida em longo prazo, especialmente em relação à segurança, manutenção da resposta clínica e impacto sobre desfechos hepáticos mais avançados.
Novas pesquisas já estão em andamento para avaliar o medicamento em populações mais diversas e por períodos maiores. Esses estudos devem ajudar a definir melhor o papel da survodutida no tratamento da obesidade e da doença hepática associada à disfunção metabólica.
Embora ainda seja uma terapia experimental, os dados reforçam o avanço das chamadas medicações metabólicas injetáveis, que vêm ampliando o foco do tratamento para além da perda de peso. O objetivo passa a incluir também melhora da saúde hepática, redução de risco cardiometabólico e prevenção de complicações relacionadas à obesidade.

