O Sistema Único de Saúde voltará a oferecer duas doses de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças menores de cinco anos. A mudança passa a valer a partir de 3 de agosto e será feita exclusivamente com a vacina inativada injetável.
Com a atualização, todas as crianças de 4 anos deverão receber uma nova dose de reforço contra a pólio. O esquema retorna ao modelo utilizado até 2024, mas com uma diferença importante: a vacina oral, conhecida como gotinha, não será mais utilizada nessa estratégia.
Até 2024, o calendário infantil previa três doses da vacina injetável, aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral, aos 15 meses e aos 4 anos. Posteriormente, o Ministério da Saúde passou a utilizar apenas a vacina injetável e retirou a segunda dose de reforço.
A decisão anterior foi tomada porque a vacina oral utiliza vírus atenuado, ou seja, enfraquecido. Embora seja segura e tenha sido fundamental no controle da poliomielite por décadas, em situações extremamente raras esse vírus pode sofrer mutações e causar a doença. Por esse motivo, diversos países passaram a priorizar esquemas com a vacina inativada.
Com a nova mudança, o calendário passa a prever cinco aplicações da vacina inativada injetável: três doses básicas aos 2, 4 e 6 meses e duas doses de reforço, aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
A orientação é que todas as crianças menores de cinco anos que não tenham recebido as cinco doses sejam levadas a uma unidade de saúde para avaliação da caderneta de vacinação. A equipe do posto poderá verificar se há necessidade de atualização do esquema.
A retomada da segunda dose de reforço foi definida após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações por meio de nota técnica. A medida busca reforçar a proteção infantil em um cenário de preocupação internacional com a circulação do vírus em alguns países.
Segundo Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, as doses de reforço são necessárias porque a proteção oferecida pela vacina pode diminuir com o tempo. As aplicações adicionais ajudam a manter a imunidade em níveis adequados, especialmente em crianças pequenas, que estão entre os grupos de maior risco para formas graves da doença.
A especialista destaca que, embora a poliomielite esteja controlada no Brasil, surtos localizados em outras regiões do mundo mantêm o risco de reintrodução do vírus. Por isso, a manutenção de um esquema completo e reforçado é considerada essencial.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a adoção de esquemas capazes de garantir proteção sustentada contra a doença. Em situações de surto, adultos também podem ser vacinados, mas a rotina de imunização é voltada principalmente para crianças menores de cinco anos.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu, em 1994, o certificado de área livre de circulação do poliovírus. Apesar disso, especialistas reforçam que a ausência de casos depende diretamente da manutenção de altas coberturas vacinais.
Entre 1968 e 1989, o país registrou mais de 26 mil casos de poliomielite. A doença, também conhecida como paralisia infantil, pode causar sintomas leves em parte dos infectados, mas em alguns casos atinge o sistema nervoso central e provoca paralisia permanente ou morte.
A vacinação segue sendo a única forma eficaz de prevenir a poliomielite e evitar que a doença volte a circular no país. Por isso, a atualização da caderneta infantil é considerada uma medida fundamental de proteção individual e coletiva.

