Procedimentos relacionados à estratégia passaram de 4,9 mil para 106,3 mil em oito anos
O número de procedimentos relacionados ao Pré-Natal do Parceiro aumentou de 4,9 mil, em 2018, para 106,3 mil em 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 2.076% no período, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
A estratégia pretende envolver o parceiro durante a gestação e aproveitar esse contato com os serviços de saúde para oferecer vacinação, exames, orientações preventivas e acompanhamento clínico.
A proposta também busca ampliar a participação nos cuidados com a gestante, o recém-nascido e a família durante o ciclo gravídico-puerperal.
Pré-natal não deve ser responsabilidade exclusiva da gestante
A gestação costuma concentrar consultas, exames, decisões e responsabilidades sobre a mulher.
Embora seja a gestante quem passa pelas mudanças físicas e pelos riscos clínicos da gravidez, o acompanhamento familiar pode influenciar a adesão às consultas, o suporte emocional, a organização doméstica e os cuidados após o nascimento.
A participação do parceiro cria uma oportunidade para discutir paternidade ativa, divisão de responsabilidades, amamentação, vacinação infantil, cuidados com o recém-nascido e apoio durante o puerpério.
Também permite identificar dificuldades sociais, emocionais e familiares que podem interferir na saúde da gestante e do bebê.
Uma porta de entrada para a saúde do homem
Homens utilizam menos os serviços preventivos de saúde e frequentemente procuram atendimento apenas diante de sintomas mais intensos ou doenças já estabelecidas.
O acompanhamento da gestação oferece uma oportunidade para modificar esse padrão.
Durante o Pré-Natal do Parceiro, podem ser realizados avaliação clínica, aferição da pressão arterial, atualização vacinal e exames indicados de acordo com a idade, os antecedentes e os fatores de risco.
O momento também permite abordar alimentação, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, saúde mental, sexualidade e prevenção de doenças crônicas.
A estratégia não deve se limitar à realização automática de exames. Ela precisa funcionar como um contato estruturado com a atenção primária.
Prevenção das infecções sexualmente transmissíveis
A participação do parceiro também possui importância direta na prevenção da transmissão vertical de infecções como sífilis e HIV.
Quando apenas a gestante é diagnosticada e tratada, uma parceria sexual não avaliada pode permanecer infectada e provocar uma nova exposição durante a gravidez.
Testagem, orientação, tratamento adequado e uso de medidas preventivas reduzem o risco de reinfecção e contribuem para proteger o bebê.
A abordagem deve preservar o sigilo, o consentimento e a autonomia das pessoas envolvidas. O comparecimento do parceiro não substitui a entrevista individual da gestante nem autoriza o compartilhamento automático de informações clínicas.
Participação não pode virar vigilância
A inclusão do parceiro é positiva quando oferece apoio e corresponsabilidade.
Entretanto, a presença não pode ser imposta em situações em que a gestante não se sinta confortável ou segura.
Os profissionais devem permanecer atentos a sinais de violência doméstica, controle, coerção sexual e restrição da autonomia. Parte da consulta precisa permitir que a mulher converse com a equipe de maneira reservada.
Portanto, fortalecer a participação familiar não significa eliminar espaços individuais de cuidado.
Crescimento precisa ser acompanhado de qualidade
O aumento de 4,9 mil para mais de 106 mil procedimentos mostra expansão expressiva, mas não revela sozinho a qualidade do atendimento.
É necessário avaliar quais ações foram efetivamente realizadas, se os exames alterados receberam acompanhamento e se a presença do parceiro se manteve durante a gestação e após o nascimento.
Também é preciso reduzir diferenças entre regiões, municípios e unidades de saúde.
A consolidação da estratégia depende de equipes capacitadas, disponibilidade de testes, integração dos sistemas de informação e organização de horários que permitam o comparecimento das pessoas que trabalham durante o funcionamento habitual das unidades.
Cuidar da família começa antes do nascimento
O Pré-Natal do Parceiro ajuda a retirar o homem da posição de acompanhante eventual e aproximá-lo do cuidado.
Quando bem executada, a estratégia beneficia a gestante, o bebê, o próprio parceiro e a dinâmica familiar.
O crescimento registrado pelo SUS mostra que a iniciativa ganhou espaço. O próximo desafio é transformar o aumento de procedimentos em participação contínua, prevenção e vínculos mais equilibrados dentro e fora dos serviços de saúde.
Fonte: Ministério da Saúde.

