Anvisa aprova medicamento que dissolve na boca para tratar e prevenir enxaqueca

Rimegepanto foi registrado para crises agudas com ou sem aura e para prevenção da enxaqueca episódica em adultos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da enxaqueca.

O Nurtec ODT contém rimegepanto e é apresentado em comprimido de desintegração oral, que se dissolve na boca.

A indicação inclui o tratamento agudo da enxaqueca com ou sem aura em adultos.

O medicamento também foi aprovado para a prevenção da enxaqueca episódica em pacientes adultos que apresentam pelo menos quatro crises por mês.

Como o medicamento atua

O rimegepanto pertence à classe dos antagonistas do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido pela sigla CGRP.

O CGRP participa da transmissão da dor e de alterações vasculares e inflamatórias associadas às crises de enxaqueca.

Ao bloquear seu receptor, o medicamento reduz a atividade dessa via.

A classe ficou conhecida como a dos “gepantes” e representa uma alternativa aos tratamentos que atuam por outros mecanismos, como os triptanos.

Um medicamento com duas indicações

Uma característica do rimegepanto é ter sido aprovado tanto para o tratamento da crise quanto para a prevenção.

No uso agudo, o objetivo é reduzir a dor e os sintomas associados depois do início do episódio.

Na prevenção, o medicamento é utilizado de acordo com o esquema prescrito para diminuir a frequência das crises ao longo do tempo.

Isso não significa que o mesmo paciente necessariamente utilizará o produto das duas formas. A indicação precisa considerar a frequência, a intensidade, a duração dos episódios e a resposta a tratamentos anteriores.

O que significa ODT

A sigla ODT vem de orally disintegrating tablet, ou comprimido de desintegração oral.

O produto se dissolve sobre ou sob a língua e pode ser engolido sem a necessidade de água.

Essa apresentação pode ser útil durante crises acompanhadas de náuseas ou em situações nas quais o paciente tenha dificuldade para ingerir comprimidos convencionais.

Apesar da dissolução na boca, o medicamento não deve ser confundido com uma formulação de uso sublingual destinada a produzir efeito instantâneo. Seu uso precisa seguir as orientações da bula e da prescrição.

Para quem foi aprovado

A indicação brasileira contempla adultos.

Para a prevenção da enxaqueca episódica, a Anvisa especifica pacientes que apresentam pelo menos quatro crises mensais.

O diagnóstico de enxaqueca deve ser clínico e considerar as características da dor, a duração, os sintomas associados e a presença ou ausência de aura.

Cefaleias novas, progressivas ou acompanhadas de alterações neurológicas, febre, trauma, câncer, imunossupressão ou mudança importante no padrão habitual exigem investigação de causas secundárias.

Por isso, uma nova opção terapêutica não elimina a necessidade de diagnóstico adequado.

Aprovação não significa indicação para todas as pessoas

A escolha do tratamento depende das características das crises e das condições do paciente.

É necessário considerar doenças associadas, função hepática e renal, gravidez, amamentação, outros medicamentos e possíveis interações.

Também é importante avaliar a frequência com que o paciente utiliza analgésicos ou medicamentos para crise. O uso excessivo pode contribuir para a cefaleia por uso excessivo de medicação.

Medidas não farmacológicas, identificação de gatilhos e organização do sono e da rotina também podem fazer parte do manejo.

Disponibilidade e acesso

O registro concedido pela Anvisa autoriza o medicamento no país, mas não garante disponibilidade imediata em todas as farmácias.

Preço, início da comercialização, cobertura pelos planos e possível incorporação ao SUS dependem de processos separados.

O rimegepanto amplia as alternativas para pessoas que não respondem adequadamente aos medicamentos disponíveis, apresentam contraindicações ou necessitam de uma estratégia preventiva.

O avanço é relevante, mas seu lugar no tratamento será definido pela avaliação individual, pelo acompanhamento dos resultados e pelas condições de acesso.

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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