Pesquisa acompanhou participantes por até dez anos, mas não demonstra que evitar cochilos previna a doença.
Cochilar durante o dia pode ter significados diferentes conforme a frequência, a intenção e o contexto. Foi essa diversidade que pesquisadores investigaram em uma análise do National Health and Aging Trends Study, nos Estados Unidos.
O estudo incluiu 995 idosos sem classificação de demência possível ou provável no início. Os hábitos de cochilo foram informados pelos próprios participantes, e o acompanhamento se estendeu por até dez anos.
Após ajustes para características demográficas, de saúde e de sono, cochilos frequentes estiveram associados a uma razão de riscos de 1,48 para demência possível ou provável. Para cochilos involuntários, a medida foi de 1,39. Não houve associação estatisticamente significativa para cochilos infrequentes ou intencionais.
Por que isso não demonstra causa?
O estudo observou hábitos e desfechos. Ele não sorteou pessoas para cochilar ou permanecer acordadas.
Assim, não permite concluir que o cochilo tenha provocado a demência ou que impedir o sono diurno reduza o risco. Os pesquisadores consideram, entre as explicações possíveis, que mudanças nos cochilos sejam marcadores de alterações cerebrais.
Há também limites na medição: os hábitos foram autorrelatados, e o desfecho foi definido por um algoritmo de classificação, não por uma investigação clínica uniforme de todos os casos.
O que levar para a leitura do resultado?
O aumento relativo encontrado não significa que 48% dos participantes desenvolveram demência por cochilar.
A contribuição da pesquisa está em ampliar as perguntas sobre mudanças do sono ao longo do envelhecimento. O achado precisa ser integrado a outras evidências, sem transformar um hábito isolado em diagnóstico ou recomendação de prevenção.
Fontes: Estudo — The Journals of Gerontology e Johns Hopkins — divulgação da pesquisa.

