A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quarta-feira (6) que o possível surto de hantavírus registrado em um cruzeiro de luxo foi causado pela cepa Andes, uma variante rara do vírus encontrada principalmente na América do Sul e considerada a única conhecida com potencial de transmissão entre humanos.
O hantavírus é normalmente transmitido pelo contato com secreções de roedores infectados, especialmente urina, fezes e saliva. A infecção costuma ocorrer em ambientes rurais ou locais fechados contaminados, onde partículas virais podem ser inaladas.
Entretanto, a cepa andina do hantavírus representa uma exceção dentro desse grupo de vírus. Diferentemente das demais variantes, ela possui capacidade documentada de transmissão entre pessoas, geralmente por meio de contato próximo e prolongado.
A cepa Andes é encontrada principalmente na Argentina e no Chile, regiões associadas historicamente aos principais registros desse tipo de transmissão.
Segundo o infectologista Moacyr Silva Junior, do Hospital Israelita Albert Einstein, a hantavirose tradicionalmente está relacionada ao ambiente rural.
“A hantavirose está muito relacionada à ação agrícola das pessoas, mexendo em paióis, carpindo. Ela está muito relacionada à atividade rural, então não é comum o que aconteceu no cruzeiro, essa transmissão entre pessoas. É uma exceção essa transmissão entre humanos”, afirmou o especialista.
O hantavírus pertence a uma família viral capaz de provocar duas formas principais de doença: uma que afeta predominantemente os pulmões e outra que compromete os rins.
A forma pulmonar, conhecida como síndrome pulmonar por hantavírus, é considerada a mais grave e possui alta taxa de letalidade, estimada em aproximadamente 40%. Essa manifestação é mais frequente nas Américas do Norte e do Sul.
Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e semelhantes aos de uma gripe comum, incluindo febre, fadiga, dores musculares e mal-estar geral. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os sintomas podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.
Entre quatro e dez dias depois do início do quadro, podem aparecer sinais respiratórios graves, como tosse, falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões.
Especialistas alertam que o diagnóstico precoce pode ser difícil, especialmente nas primeiras 72 horas da infecção, devido à semelhança dos sintomas iniciais com doenças virais mais comuns.
Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para a hantavirose. O manejo clínico é baseado em cuidados de suporte, incluindo hidratação, monitorização intensiva e suporte respiratório quando necessário. Em casos graves, os pacientes podem precisar de ventilação mecânica.
A prevenção continua sendo a principal estratégia de controle da doença. Especialistas recomendam evitar contato com roedores e seus excrementos, além de manter ambientes limpos e ventilados.
Também é orientado não utilizar aspiradores de pó ou vassouras para limpar fezes secas de roedores, já que isso pode aerosolizar partículas virais e facilitar a inalação do vírus.

