Awiqli reduz as aplicações basais de 365 para 52 por ano; medicamento já foi aprovado no Brasil, mas ainda não tem data oficial de lançamento
A Índia tornou-se o sétimo país a comercializar a insulina icodeca, primeira insulina basal de aplicação semanal aprovada para uso clínico.
O produto, vendido com o nome Awiqli, foi lançado no mercado indiano em julho de 2026.
Em vez de uma aplicação diária de insulina basal, o paciente utiliza uma dose a cada sete dias, sempre no mesmo dia da semana.
A mudança pode reduzir de aproximadamente 365 para 52 o número anual de aplicações basais.
Como uma aplicação consegue atuar por sete dias
A insulina icodeca foi desenvolvida para permanecer no organismo durante um período prolongado.
Depois da aplicação, a molécula se liga de maneira reversível à albumina, uma proteína presente no sangue. Essa ligação cria um reservatório que libera gradualmente a insulina ativa.
A molécula também apresenta degradação mais lenta. Sua meia-vida é de aproximadamente 196 horas, pouco mais de oito dias.
O objetivo permanece o mesmo das insulinas basais diárias: controlar a glicose entre as refeições, durante o período noturno e nos momentos de jejum.
A diferença está na duração e na frequência das aplicações.
O que mostraram os estudos ONWARDS
A aprovação foi baseada no programa de estudos clínicos ONWARDS, que reuniu mais de quatro mil participantes.
Os ensaios compararam a icodeca com insulinas basais diárias, como degludeca e glargina.
Nos pacientes com diabetes tipo 2, a nova insulina apresentou controle da hemoglobina glicada semelhante ou, em alguns estudos, superior ao das opções diárias utilizadas como comparação.
O programa também avaliou pessoas que nunca haviam utilizado insulina, pacientes que já recebiam tratamento basal e indivíduos que necessitavam de esquemas mais intensivos.
No diabetes tipo 1, a icodeca foi estudada como componente basal do tratamento. Ela não substitui a insulina de ação rápida utilizada nas refeições e nas correções da glicemia.
Menos aplicações podem facilitar a adesão
A aplicação diária representa uma barreira para algumas pessoas.
Medo de agulhas, dor, esquecimento, rotina de trabalho e dificuldade de aceitar a insulinização podem atrasar ou prejudicar o tratamento.
Uma dose semanal pode simplificar a rotina e diminuir o número de decisões relacionadas à aplicação basal.
Entretanto, a redução da frequência não torna o tratamento menos complexo em todos os aspectos.
Como cada aplicação produz efeito durante uma semana inteira, erros na dose podem ter consequências prolongadas. A titulação precisa ser planejada cuidadosamente, especialmente durante a transição de uma insulina diária.
O paciente também precisa saber como agir em caso de atraso, esquecimento, redução da alimentação, doença aguda ou episódios de hipoglicemia.
A insulina semanal já está disponível no Brasil?
Não.
A Anvisa aprovou a insulina icodeca em março de 2025 para adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2.
Apesar da aprovação regulatória, a fabricante informa que ainda não existe uma data oficial para o lançamento nas farmácias brasileiras.
A aprovação não significa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde nem cobertura obrigatória imediata por planos de saúde. Disponibilidade, preço e acesso dependerão das etapas comerciais e das decisões dos sistemas responsáveis.
Portanto, a notícia de agosto de 2026 se refere ao lançamento na Índia, não ao início da comercialização no Brasil.
Não é uma substituição automática
Pacientes não devem trocar uma insulina basal diária pela icodeca sem avaliação médica.
A conversão depende da dose atual, do tipo de diabetes, do controle glicêmico, da função renal, do risco de hipoglicemia e dos outros medicamentos utilizados.
No diabetes tipo 1, o tratamento continuará exigindo insulina prandial. No tipo 2, a necessidade de outros medicamentos também dependerá do perfil clínico.
A chegada de uma insulina semanal representa uma mudança importante na história da insulinização. Seu benefício real, entretanto, dependerá não apenas da comodidade, mas de seleção adequada, educação do paciente e acesso seguro.
Fonte: Novo Nordisk Brasil, Reuters e Um Diabético.


