Bolsa coletada no Ceará foi enviada a Minas Gerais após uma busca por doadores com características sanguíneas específicas.
Uma operação envolvendo o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, o Hemoce, permitiu enviar uma bolsa de sangue raro para um paciente transplantado em Juiz de Fora, Minas Gerais.
O material seguiu na cabine de uma aeronave comercial, sob os cuidados do piloto, para agilizar o transporte. A mobilização começou depois que os testes pré-transfusionais identificaram uma necessidade de compatibilidade difícil de atender.
Segundo o Hemoce, apenas seis pessoas estavam identificadas no Cadastro Nacional de Sangue Raro como possíveis doadoras compatíveis para aquele caso. Uma delas estava no Ceará. Esse número se refere aos doadores localizados no cadastro, não a todas as pessoas compatíveis existentes no mundo.
| Para alguns pacientes, encontrar sangue adequado depende de uma rede capaz de localizar um doador a centenas de quilômetros e fazer a bolsa chegar com segurança.
A compatibilidade vai além de ABO e Rh
O paciente havia passado por um transplante renal e apresentava o anticorpo anti-Jsb. Isso dificultava a seleção de uma unidade de sangue compatível.
As hemácias possuem muitos outros antígenos além daqueles utilizados nas classificações mais conhecidas, como A, B, AB e O e Rh positivo ou negativo.
Um sangue pode ser considerado raro pela ausência de um antígeno muito frequente na população ou por uma combinação incomum de características. Por isso, dois indivíduos com o mesmo grupo ABO e Rh nem sempre oferecem a compatibilidade necessária em situações transfusionais específicas.
Agilidade não substitui o rigor técnico
A localização do doador foi acompanhada por testes, coleta e preparação do material. O transporte precisa preservar as condições adequadas da bolsa, incluindo acondicionamento e controle de temperatura.
A parceria entre o SUS e companhias aéreas amplia uma possibilidade logística que pode reduzir a espera. Segundo o Ministério da Saúde, este foi o segundo transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial no país.
Por que o cadastro importa?
A história evidencia uma parte menos visível da hemoterapia: identificar características raras e manter contato com os doadores antes que uma urgência apareça.
O atendimento não depende apenas de haver sangue disponível. Depende de encontrar a unidade adequada e de integrar serviços capazes de testar, coletar, transportar e transfundir.
É essa organização que transforma uma doação realizada em um estado em uma possibilidade de cuidado para alguém em outro.
Fonte: G1 — Bolsa de sangue raro cruza o país para atender paciente transplantado
Informações complementares: Hemoce — Mobilização de doador e transporte para Minas Gerais

